Era uma vez…José Craveirinha

jose craveirinha

Em Moçambique, ex-colónia portuguesa, um menino, ainda bebé, andava às costas da mãe descalça, e recebeu dela as primeiras impressões sensoriais: os sons, os cheiros, as formas, as cores de África. Do pai, ex-emigrante do Algarve, província de Portugal, recebeu depois as palavras da língua do colonizador, o gosto pela cultura universal e pelos livros. Quando cresceu, aquele menino descobriu-se mulato, misturado de duas realidades étnicas e culturais diferentes, e isto para ele foi um segundo nascimento.              Como conciliar as origens diferentes do pai e da mãe, que não impediam que se amassem profundamente? Sem dúvida, pondo sobre o papel, em forma de poema, as palavras da mãe ronga a namorarem com as do pai português... E foi assim que nasceu o poeta José Craveirinha, e com ele a consciência da moçambicanidade, que, por seu lado, viria dar lugar à independência de Moçambique. Quando partiu deste mundo, ele tinha posto em livro a sua epopeia, que era também a de um país e de um povo que parecia ter saído de dentro dele... E repetia: «Karingana ua Karingana», que significava, na língua do pai, «Era uma vez... era uma vez...».

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Era uma vez…José Craveirinha,

Prelo,

2016.

Jorge Chichorro Rodrigues

 

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