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Era uma vez…José Craveirinha

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jose craveirinha

Em Moçambique, ex-colónia portuguesa, um menino, ainda bebé, andava às costas da mãe descalça, e recebeu dela as primeiras impressões sensoriais: os sons, os cheiros, as formas, as cores de África. Do pai, ex-emigrante do Algarve, província de Portugal, recebeu depois as palavras da língua do colonizador, o gosto pela cultura universal e pelos livros. Quando cresceu, aquele menino descobriu-se mulato, misturado de duas realidades étnicas e culturais diferentes, e isto para ele foi um segundo nascimento.              Como conciliar as origens diferentes do pai e da mãe, que não impediam que se amassem profundamente? Sem dúvida, pondo sobre o papel, em forma de poema, as palavras da mãe ronga a namorarem com as do pai português... E foi assim que nasceu o poeta José Craveirinha, e com ele a consciência da moçambicanidade, que, por seu lado, viria dar lugar à independência de Moçambique. Quando partiu deste mundo, ele tinha posto em livro a sua epopeia, que era também a de um país e de um povo que parecia ter saído de dentro dele... E repetia: «Karingana ua Karingana», que significava, na língua do pai, «Era uma vez... era uma vez...».

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Era uma vez…José Craveirinha,

Prelo,

2016.

Era uma vez …Luís de Camões

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luis de camoes

«Transforma-se o amador na cousa amada», escreveu Luís de Camões num dos seus sonetos mais célebres. E foi isto mesmo que aconteceu com o nosso grande Poeta: de tanto amar Portugal, transformou-se no rosto e na alma de Portugal. O sonho começou cedo, à beira-Tejo, vendo naus partirem e chegarem de mundos distantes, trazendo aromas da Índia. Lisboa, a capital do pequeno reino situado na extremidade ocidental da Península Ibérica, era o centro do mundo, o lugar de todos os sonhos, mas também das mais amargas realidades.

À realidade mais dura, a amores impossíveis, ao desconcerto do mundo, à obscuridade da cadeia, a tempestades, a Adamastores e a naufrágios, nos mares da Índia, Camões foi buscar a matéria para uma obra que será sempre uma referência imorredoura para os Portugueses: Os Lusíadas. O sonho consuma-se na Ilha dos Amores, o prémio merecido para quem tanto lutou e navegou, unindo os dois hemisférios do mundo.

E que diferença há entre o sonho e a realidade, quando a experiência vivida é tão fiel ao que se sonhou ainda jovem?

Nesta obra o grande Poeta da Portugalidade leva cada leitor a sentir-se na sua pele, por dentro da sua experiência poética e pessoal, e não haverá quem, ao ler «Luís de Camões contado às crianças adultas», não se sinta orgulhoso de ser falante da Língua Portuguesa.

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Era uma vez …Luís de Camões,

Prelo,

2016.

Era uma vez…Eça de Queiroz

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era uma vez eca de queiroz

Na segunda metade de um século inovador, um país mantinha-se pobre, atrasado, fechado ao mundo, apesar de ter tido um passado glorioso. Foi então que, num canto do pequeno retângulo, que era a sua forma, nasceu aquele que veio a ser um grande escritor, renovador da língua e genial pintor – com traços realistas - dos seus defeitos e das suas fraquezas. Graças a ele, o país pôde ver-se retratado, e pôde conhecer-se melhor, aproximando-se, até um certo ponto, do mundo «civilizado».

Mas, compreendeu o escritor ao longo de uma vida muito viajada, e depois de estar a viver no centro da «civilização», que afinal há outros valores para além do progresso, das máquinas, e da ciência – há o mundo do Espírito, que estava bem vivo nas suas raízes. Dirigindo para lá o olhar, já no Inverno da vida, comoveu-se à ideia de que afinal o seu país tinha riquezas, só percetíveis pelo coração, que lhe tinham passado completamente despercebidas.

(Neste texto da contracapa do livro faz-se referência ao papel fundamental desempenhado por de Eça de Queiroz para a renovação da língua e da literatura portuguesas; alude-se também à sua aproximação, no final da vida, às suas origens, que estavam no norte de Portugal.)

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Era uma vez…Eça de Queiroz,

Prelo,

2016.

Era uma vez…Fernando Pessoa

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era uma vez fernando pessoa

A coleção «Contado às crianças adultas» nasceu numa tarde em que o autor foi visitado por Fernando Pessoa e, sentado diante do computador, fez, em poucas horas, uma síntese poética da vida e da obra do grande poeta. Começava aí uma grande aventura... Fernando Pessoa, a quem era cara a expressão «criança adulta» (alguém que não perde a inocência, apesar da maturidade, sabendo por isso ver novidade em tudo, como acontecia com o mestre Caeiro) perguntou depois: «Porque não abres também a porta a outros autores de língua portuguesa, que pertencem à nossa Pátria comum?» Pessoa foi, pois, o padrinho desta coleção. E vieram de enxurrada Camões, Fernão Mendes Pinto, o Pe. António Vieira, Bocage, Antero de Quental, Eça de Queiroz, Machado de Assis, Florbela Espanca, José de Alencar, Sophia de Mello Breyner Andresen, Carlos Drummond de Andrade, José Craveirinha, Eugénio Tavares, e tantos outros, unindo Portugal, Brasil e países africanos de língua portuguesa... (…) Tendo um carácter pedagógico e servindo para sensibilizar as escolas para a riqueza do nosso património literário de língua portuguesa, a coleção interessa também ao grande público. Importa, num mundo cada vez mais globalizado, afirmar a nossa identidade, a nossa especificidade, e para isso nada melhor do que divulgar, em prosa poética, alguns dos nomes que mais ajudaram a engrandecer o nosso idioma, que era e é a Pátria de Pessoa.

(Neste texto da contracapa do livro Fernando Pessoa é apresentado como o padrinho da coleção «Contado às crianças adultas». Ele é que abriu caminho, misteriosamente, para uma viagem por vários autores de língua portuguesa... E o autor, pai da coleção, ao mesmo tempo que materializava a vontade do poeta dos heterónimos, assistia ao espetáculo deslumbrante de vidas e de obras a desfilarem diante de si... Até que ponto os autores da coleção, de Portugal, do Brasil, de países africanos de língua portuguesa, não são uma espécie de heterónimos póstumos de Fernando Pessoa? O facto é que ele continua a «jogar à literatura» lá em cima nas estrelas, para onde partiu num dia triste de novembro a que talvez não faltasse nevoeiro...)

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Era uma vez…Fernando Pessoa,

Prelo,

2016.

Era uma vez…Cecília Meireles

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era uma vez cecilia meireles

Uma menina chamada Cecília muito cedo perdeu os pais e ficou entregue a uma avó que tinha grandes qualidades: era fiel às origens, contava histórias de mundos fabulosos, muito antigos, e falava-lhe de terras e de povos a descobrir, um dos quais lhes deixara a língua em que falavam; tão serena e sábia era a voz daquela avó, natural de umas ilhas distantes situadas no meio de um oceano, que a menina prometeu a si mesma que havia de realizar grandes viagens e havia de ver, com os seus próprios olhos, muitos daqueles mundos de que ela lhe falava e profundamente a fascinavam, incluindo o arquipélago de quem lhe alimentava tantos sonhos…

Já adulta, Cecília manteve a alma de criança, e ser poeta, amiga das crianças, que defendeu sempre, como a avó a tinha protegido a ela da solidão absoluta, era uma forma de conservar viva a sua própria infância, de que nunca se despediu, nem quando os anjos a chamaram para o Céu… A sua própria poesia, vinda do inconsciente, do mais fundo dela, cheia de símbolos e de ritmos ligados ao mar, à lua, à natureza, era uma música que parecia descer do Céu – e não era o seu nome o mesmo de uma santa padroeira da música?

(Neste texto da contracapa do livro é feita referência às origens açorianas do grande poeta carioca, que nunca deixou de viajar e de viver apaixonada pelo mundo. Por pouco não se encontrou com Fernando Pessoa, em Lisboa, pois tal foi o desejo das insondáveis estrelas... Mas, na ilha de São Miguel, nos Açores, prestou homenagem a Antero de Quental, outro grande poeta português que também é contemplado na coleção «Contado às crianças adultas»...)

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Era uma vez…Cecília Meireles,

Prelo,

2016.

Jorge Chichorro Rodrigues

 

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